Café das Marias indica leitura e conversa com a autora Le Savoldi
Algumas dores não desaparecem com o tempo. Elas apenas aprendem a morar em silêncio. Foi pensando nessas histórias que o Café das Marias conversou com a poeta Le Savoldi, autora do livro Coisas que eu tinha pra dizer e não disse, uma obra que transforma sentimentos guardados em poesia e convida mulheres a reencontrarem a própria voz.
A obra é um espelho emocional que reflete as dores, as despedidas e os amores que muitas de nós carregamos sozinhas. Para entender melhor como a escrita pode ser um caminho de libertação, o Café conversou diretamente com a autora, a poeta e educadora Le Savoldi.
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Café das Marias – O que te motivou a escrever Coisas que eu tinha pra dizer e não disse?
Le Savoldi – Este livro é uma travessia de vinte anos. Nele estão reunidas todas as minhas obras poéticas, organizadas em dez partes que caminham do fim ao começo, como quem revisita a própria alma. Sempre desejei reunir essas vozes dispersas em uma única obra. Escrever sempre foi meu modo de respirar por dentro, de libertar o que, em silêncio, sufoca.
Café das Marias – Como foi transformar sentimentos guardados em poesia?
Le Savoldi – Transformar sentimento em poesia é um exercício de escavação. É preciso tocar a dor, às vezes revivê-la, para então ressignificá-la. Houve momentos em que escrever doeu profundamente, mas também foi nesse movimento que encontrei libertação. A poesia é, ao mesmo tempo, ferida e cura.
CM – Houve algum trecho mais difícil de escrever?
LS– Sim. A parte cinco, Lágrimas Negras. É a mais densa e crua do livro. Ali falo sobre violências e abusos. Escrever esses textos exigiu enfrentamento, mas também trouxe cura. Há dores que só deixam de nos aprisionar quando ganham voz.
CM– Muitas mulheres vivem histórias de dor e silêncio. Que mensagem você deixa para elas?
LS – O silêncio não é vazio. Ele é cheio de tudo aquilo que não foi dito. Nenhuma dor deveria ser carregada sozinha. Dói mais guardar do que libertar. Dizer é um ato de coragem, mas também de alívio. Que minhas palavras sejam abrigo e começo.
CM – Como a escrita pode ajudar mulheres que foram silenciadas?
LS– A escrita reorganiza o caos. Dá forma ao que parecia incompreensível. Quando a dor encontra palavras, ela perde parte do seu poder. Mais do que olhar para o que foi, escrever nos convida a construir o que será. Sempre é possível recomeçar.
CM: Apesar da dor, seus versos trazem esperança. Qual o papel da fé e do amor nisso?
LS– O amor é a essência da vida. A fé é o que nos sustenta quando tudo parece perdido. Enquanto houver amor, haverá possibilidade. Mesmo depois da noite mais escura, ainda existe um céu azul à espera.
CM – Que conselho você daria para quem quer começar a escrever?
LS– Comece pelo que sente. Não espere palavras perfeitas. Escreva o que é verdadeiro. Aos poucos, o poema nasce. Escrever é, antes de tudo, um encontro consigo mesma.
CM – O que você espera que cada leitora leve ao fechar o livro?
LS– Que leve a certeza de que o amor é a maior força que move um coração. Que não guardem mais o que precisa ser dito. Se há algo dentro de você pedindo voz… diga.
Por que o Café das Marias indica essa leitura
Coisas que eu tinha pra dizer e não disse é um livro para mulheres que aprenderam a silenciar para sobreviver. Uma leitura que acolhe, legitima sentimentos e mostra que falar, escrever e se permitir sentir também são formas de cura.
Serviço
Livro: Coisas que eu tinha pra dizer e não disse
Autora: Le Savoldi
Páginas: 242
Onde encontrar: Amazon
Por: Laís Queiroz | Revisão: Lúcia Lima